No Dia Internacional da Alimentação a mostra traz uma história de resiliência "Cultura de Engenho: Patrimônio e Resistência".
No dia 16 de outubro a alimentação é mundialmente
comemorada, por isso, a curadoria desta edição escolheu trazer para esta sessão-debate temas tão importantes para atualidade. Escolheu falar sobre a resistência e a
luta na manutenção da produção local e artesanal de alimentos que carregam
consigo a história de arranjos produtivos que mantém a memória dos saberes
e dos usos e costumes que estão se perdendo no Brasil e no mundo.
Florianópolis, 2016, uma produção urbana de mandioca
atravessa o asfalto da rodovia até um engenho de farinha enquanto no litoral
sul comunidades fazem uso coletivo da terra para produzir alimentos com fim
material e simbólico. O que mantém vivas tais práticas?
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| (Sandra Alves, diretora do documentário) |
O documentário "Cultura de Engenho: Patrimônio e Resistência" dirigido por Sandra Alves (Brasil, 2017) com pesquisa, roteiro e entrevistas de Gabriella Pieroni, retrata a condição patrimonial dos engenhos de farinha de mandioca de Santa Catarina através de seus ilustres protagonistas. São agricultores, artesãos, cozinheiras, comedores que em seus depoimentos mesclam identidade cultural com sabor e sustento. Vamos da roça de mandioca aos sabores da farinha, degustando histórias de vida e resistência e exemplos reais de preservação que colocam o comer e o produzir alimentos como atos políticos e culturais muito atuais.
“Nós chegamos até aqui foi fazendo farinha e isso é um
patrimônio que não devia se acabar!” Fausto Andrade, Santo Antônio de Lisboa,
SC.
“A farinha de mandioca é a única coisa que vai defender a
nossa miséria no final do mundo.” Luís Farias, presidente da Associação
Comunitária Rural de Imbituba, SC.
Os Engenhos de Farinha já foram vistos como memória
histórica de um tempo passado cravadas em novas edificações, hoje se
multiplicam enquanto espaços de resistência, tradição e saúde.
Consideradas por
seus fruidores como um patrimônio imaterial e ao mesmo tempo agroalimentar, as
práticas neles vivenciadas se reatualizam há mais de dois séculos em SC
resistindo às pressões do modelo econômico vigente.
O documentário faz parte da mobilização para o
reconhecimento das práticas e saberes associados aos Engenhos de Farinha de SC
como Patrimônio Imaterial, que reúne atores diversos através da REDE
CATARINENSE DE ENGENHOS DE FARINHA, articulada pelo PONTO DE CULTURA ENGENHOS
DE FARINHA (Prêmio de Boas Práticas em Salvaguarda do Patrimônio Imaterial
PNPI/ IPHAN 2016).
A rede brasileira do movimento internacional SLOW FOOD
através do Convívio Engenhos de Farinha é uma das importantes parcerias desta
articulação. As iniciativas tramam relações entre a defesa de territórios
tradicionais, patrimônio genético e conhecimentos tradicionais associados, uso
de espaços públicos, valorização da agricultura urbana, direito à alimentação
adequada e saudável e segurança alimentar e nutricional no campo e cidade tendo
como pano de fundo a preservação do patrimônio cultural. Temas estes que
merecem o centro das pautas de sociedade e poder público para a construção
conjunta de políticas e estratégias de preservação rumo ao Bem Viver no século
XXI.
O filme que já foi exibido em Curitiba em 2017, passou por
Bituruna no interior do Paraná, durante a edição 2018 da Mostra Internacional
de Cinema "Nossa Terra": Cultura e Alimentação, e esteve presente na programação
de vários espaços pelo país desde o seu lançamento, por isso não perca a sessão-debate
que acontece na noite de 16 de outubro às 19h, com a exibição da obra seguida
de bate papo com convidadas.
Quando: terça-feira 16 de outubro de 2019 às 19h.
Onde: Cinemateca de Curitiba (Rua Presidente Carlos
Cavalcanti, 1174 - São Francisco).
Sala Groff: 104 pessoas.
Entrada franca, aberta a todos os públicos respeitando a
capacidade da sala e classificação da obra.
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