Formação de público. Quantidade versus qualidade!
A formação de plateias no Brasil
é o desafio que todo produtor cultural tem que chamar para si, para sua equipe
e para seu projeto. É o público que dá sentido a um evento ou produto cultural
e legitima uma ação através da apropriação de algo, ideia, sentimento,
impressão, conhecimento e/ou informação e do sentimento de pertencimento
despertado no indivíduo.
Antes de mais nada identificar o
público alvo é essencial para o sucesso de empreitadas no campo da cultura e em
todas as linguagens artísticas, o que ajuda muito na hora de determinar o tipo
de divulgação a ser feita influenciando diretamente no resultado.
Mas engana-se quem acredita que o
mais importante é a quantidade de público, item que deve ser levado em conta
sim, ainda mais quando há a necessidade de cobrança de ingresso para cobrir
custos e viabilizar a realização, mas em caso de propostas gratuitas que visam
entre outras coisas a formação de plateias e a educação do público no caminho
da fruição, o item qualidade é o que pesa mais.
A Mostra Internacional de Cinema “Nossa Terra” Cultura e Alimentação
é um bom case para análise. Realizada sem recursos financeiros efetivos (apesar de ter sido aprovada e autorizada a captar recursos via Lei Rouanet de Incentivo Federal à Cultura no inicio deste ano) a mostra contou com sete
filmes em uma programação de dois dias. Evento gratuito que aconteceu no período
de feriado prolongado com previsão de chuvas para os dias de realização, em equipamento público do município (com capacidade para até 190
pessoas) de fácil localização e acesso. Apesar de tudo, divulgação, gratuidade,
acessibilidade tivemos um público reduzido se comparado à capacidade do local, mas
fundamental para o sucesso das próximas edições pois estiveram presentes nos
dias da mostra pessoas que atuam na localidade como formadores de opinião e
influenciadores de maneira geral.
Outro ponto a ser considerado é o
fato de Bituruna, no interior no Paraná, não possuir salas de cinema e com isso
sua população não ter o hábito de frequentar esses espaços, salvo quando o
fazem em outras localidades da região. Vale lembrar que oferecemos uma experiência
de cinema diferenciada e pensada para a localidade. Os filmes contaram com
pesquisa e curadoria resultando em uma programação que tinha relação direta com
a realidade da localidade, promovendo identificação e emoção a cada sessão.
Atingimos uma média tímida de
público, cerca de 45 pessoas por sessão, em alguns momentos mais, em outros
menos. Porém, a repercussão pós realização nos mostra que estamos no caminho
certo pois investir na formação de plateia é o caminho para que a sociedade
reclame para si seu direito à cultura, ao entretenimento, ao lazer e ao ócio
criativo, itens que juntos propiciam ao indivíduo a educação para as artes e
humanidades possibilitando que este desenvolva o pensamento crítico e alcance a
fruição.
“Porque a gente não
quer só comida!”
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